Certa vez, saindo da escola, escutei um boato que alguém havia presenteado a Seleção de Futebol de Barroquinha, com vários pares de chuteiras.
Não sei ao certo quem realmente mandou, porém, mesmo contrariando as ordens de minha mãe: – ‘Quando sair da aula, venha direto para casa’, não resisti, tamanha curiosidade, fui ‘cubar’ o movimento.
Ao me aproximar do local, um campo de futebol que ficava em um descampado em frente ao Colégio Carmelita Véras, avistei vários homens ao redor de um saco enorme, no qual tinham trazido as chuteiras.
Todos, naquele momento, estavam ‘caçando’ um par que coubesse em seus pés, para colocá-los e logo, começarem o treino.
Fiquei na beira do campo todo o resto da tarde apreciando os jogadores calçados com as chuteiras. Afinal, eu nunca tinha visto um ‘sapato’ daqueles de perto.
Ao final do treino, dirigindo-me para minha casa, acompanhei um grupo de atletas que estavam falando do jogo, de como tinha sido diferente em razão, agora, da presença das chuteiras, etc.
Em dado momento, um deles, mesmo que lembrasse quem, jamais diria, falou em bom barroquinês: - ‘cumpade, o bom dessa bicha, é que a gente corre aprumado, é ou num é?’. Afirmativa feita por todos os demais atletas.
Quando cheguei em casa, já noitinha, minha mãe estava aflita. Pois, até àquela hora, eu não tinha dado notícia. Não restava alternativa, senão, me dar uma surra.
Enquanto eu corria, para não apanhar, me lembrei do comentário do jogador e como desejei, naquele momento, ter uma chuteira daquelas. Para correr ‘aprumado’ e evitar que dona Gouveinha, me desse aquelas chineladas.
Não teve jeito, apanhei sempre!
Não teve jeito, apanhei sempre!
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