Quando criança, assistir televisão na nossa Barroquinha era uma verdadeira aventura.
Pois, como se não bastasse o número reduzido destes eletrodomésticos no lugar, tínhamos que torcer para que as imagens aparecessem na tela, mesmo, com um ‘chuviscado’ que parecia as entranhas de uma grande colméia de abelhas.
No quadro da Matriz, nas décadas de setenta e oitenta, poucas residências possuíam, em barroquinês, ‘telerrisão’ e, somente, em preto e branco.
Para assistirmos a programação, ficávamos nas calçadas destas casas, escorados, acotovelando-nos nas janelas ‘espiando’ as TV’s nas salas, procurando enxergar através das rótulas. Isso, quando o proprietário da casa permitia e não fechava os basculantes em nossa cara.
Outros, mais educados, nos convidavam a entrar e permitiam que sentássemos ao chão. Desde que, ficássemos sem dizer um ‘pio’.
Por volta do ano de setenta e quatro, foi construída na praça, ao lado da Igreja, uma cabine para que nesta fosse abrigada e instalada a primeira TV pública de nossa cidade.
Foi quando, pela primeira vez, vi uma televisão, ou melhor, fiquei sabendo, que existia um ‘negócio daqueles’.
O referido receptor de imagens e sons, ficava protegida numa caixa de tijolos, comuns às TV’s de praças, suspensa por paredes, também de tijolos, a uns dois metros e meio de altura.
Estava posicionada de frente para umas carreiras de bancos e com as portinhas de frente para o oeste. O que dificultava acompanhar a programação durante o dia, em razão do posicionamento do sol.
Como falei antes, ao contrario das imagens que recebemos hoje pela tecnologia que dispomos, o sinal era bastante ruim. Quando melhorava, pouca coisa, era pela utilização de um aparelho que chamavam de ‘amplimatic’.
Todavia, na minha época de menino, era o que tínhamos de melhor, para acompanhar os telejornais, as novelas e os jogos de futebol.
Como as coisas mudaram, não é verdade?
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